A Promessa do Girino






Quero contar uma Historia
Que é muito emocionante
Um girino bem pretinho
E uma lagarta Falante
Eles se apaixonaram
Vejam só que interessante

Na ponta de um salgueiro
A lagarta se debruçou 
Na água viu um girino
E logo se encantou 
Olharam-se bem nos olhos
E a paixão começou

Ela era o arco-iris
Ele assim a apelidou
És minha pérola negra
Ela assim já lhe chamou
E foi nesses devaneios
Que o amor se instalou

A Lagarta apaixonada 
Falou ao seu grande amor:
- Nunca mudes, viu querido
Eu te peço, por favor
- Eu prometo, disse ele
Mas com o coração de dor

Novamente se encontraram
Muito havia já mudado
Dois bracinhos no girino
Por ela já foi notado
- Eu não queria esses braços
disse ele magoado.

Por três vezes a lagarta
Perdoou o seu amado
Mas sua pérola negra
Já tinha muito mudado
A lagarta então foi embora
Com o coração despedaçado

O girino, já um sapo
Esperou a sua amada
Que chorou por muitos dias
E depois foi despertada
Já não era mais lagarta
Mas Borboleta encantada

Bateu suas lindas asas
Atrás do amado partiu
Encontrou um grande sapo
Olhou para ele e sorriu
Perguntou toda faceira
Uma perola você viu?


Mas a pobre coitadinha
Nem terminou de falar
Já foi logo engolida
Pelo sapo sem pensar
Que aquela borboleta
Era Arco-Iris a voar


E até hoje o pobre sapo
Tá na lagoa a esperar
Que o sei lindo Arco-Iris
Volte a lhe procurar
Mal sabe o pobrezinho
Que ele foi o seu jantar


Digo então oh minha gente
Preste muita atenção
Não devemos só agir
Pelos olhos da visão
Pois o bom a gente vê
Com os olhos do coração.


A Cor da Saudade

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro encantado. Ele era encantado por duas razões: não vivia em gaiolas, vivia solto, vinha quando queria, quando sentia saudades... E sempre que voltava, suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado.

Certa vez, voltou com penas imaculadamente brancas, e contou histórias de montanhas cobertas de neve.

Outra vez, suas penas estavam vermelhas, e contou histórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando eles estavam juntos. Mas, sempre chegava a hora do pássaro partir... A menina chorava e implorava:

- Por favor, não vá. Terei saudades, vou chorar.

- Eu também terei saudades... Dizia o pássaro.

- Mas vou lhe contar um segredo! Eu só sou encantado por causa da saudade. É ela que faz com que minhas penas fiquem bonitas... senão você deixará de me amar.

E partiu...

A menina, sozinha, chorava. Certa noite ela teve uma idéia: e se o pássaro não partir? Seremos felizes para sempre! Para ele ficar, basta que eu o prenda numa gaiola.

E assim fez. A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda que ela encontrou. Quando o pássaro voltou, eles se abraçaram, ele contou histórias e adormeceu.

A menina aproveitou o seu sono e o engaiolou. Quando o pássaro acordou deu um grito de dor.

- Ah! O que você fez? Quebrou o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das histórias. Sem a saudade, o amor irá embora...

A menina não acreditou... achou que ele se acostumaria. Mas, não foi isso o que aconteceu. Caíram as plumas e as penas transformaram-se em um cinzento triste. Não era mais aquele o pássaro que ela tanto amava...

Até que ela não mais agüentou e abriu a porta da gaiola.

- Pode ir, pássaro! Volte quando você quiser...

- Obrigado - disse o pássaro - Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. Você sabe, ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você.

Quantas vezes aprisionamos a quem amamos, pensando que estamos fazendo o melhor? Pense. Deixar livre é uma forma singela de ver ter... Direcione o seu amor não para a prisão e sim para a conquista, sempre.

Sorteio Caneca História Viva


Mineirinho Vendedor

Um mineirinho inteligente vindo da roça se candidatou a um emprego numa grande loja de departamentos da cidade.

Na verdade era a maior loja de departamentos do mundo, tudo podia ser comprado nessa loja.

O gerente perguntou ao rapaz:

- Você já trabalhou alguma vez na vida?

- Sim, eu fazia negócios na roça.

O gerente gostou do jeito simpático do mineiro e disse:
- Pode começar amanhã e no final da tarde venho verificar como você se saiu.
O dia foi longo e árduo para o rapaz. Às 17:30 o gerente se acercou do novo empregado para verificar sua produtividade e perguntou:

- Quantas vendas você fez hoje?

- Uma!

- Só uma? A maioria dos meus vendedores faz de 30 a 40 vendas por dia.

De quanto foi a venda que você fez?

- Dois milhões e meio de Reais!

-Como você conseguiu isso?

-Bem, o cliente entrou na loja e eu lhe vendi um anzol pequeno, depois um anzol médio e finalmente um anzol bem grande. Daí eu lhe vendi uma linha fina de pescar, uma de resistência média e uma bem grossa, para pescaria pesada. Eu lhe perguntei onde ele ia pescar e ele me disse que ia fazer pesca oceânica. Eu sugeri que talvez fosse precisar de um barco, então eu o acompanhei até a seção de náutica e lhe vendi uma lancha importada, de primeira linha. Aí eu disse a ele que talvez um carro pequeno não fosse capaz de puxar a lancha, levei-o à seção de carros e lhe vendi uma caminhonete com tração nas quatro rodas.

O gerente levou um susto e perguntou:

- Você vendeu tudo isso a um cliente que veio aqui para comprar um pequeno anzol?

- Não senhor, ele entrou aqui, de fato, para comprar um pacote de absorvente para a esposa, e eu disse a ele:


- Me parece um final de semana perdido, por que o senhor não vai pescar?

A Cidade dos Resmungos

Era uma vez um lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam, resmungavam.

No verão, resmungavam que estava muito quente.

No inverno, que estava muito frio.

Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair.

Quando fazia sol, reclamavam que não tinham o que fazer.

Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs.

Todos tinham um problema, e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa.

Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto às costas.

Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, pôs o cesto no chão e gritou:

- Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras estão cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundância. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade.

Ora, a camisa do mascate estava rasgada e puída.

Havia remendos nas calças e buracos nos sapatos.

As pessoas riram que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como ser feliz.

Mas enquanto riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre os dois postes na praça da cidade.

Então segurando o cesto diante de si, gritou:

- Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam seus problemas num pedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!

A multidão se aglomerou ao seu redor.

Ninguém hesitou diante da chance de se livrar dos problemas.

Todo homem, mulher e criança da vila rabiscou sua queixa num pedaço de papel e jogou no cesto.

Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda.

Quando ele terminou, havia problemas tremulando em cada polegada da corda, de um extremo a outro.

Então ele disse:

- Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar.

Todos correram para examinar os problemas.

Procuraram, manusearam os pedaços de papel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema.

Depois de algum tempo a corda estava vazia.

Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto.

Cada pessoa havia escolhido o seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.

Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo.

E sempre que alguém sentia o desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na sua corda mágica.

A Galinha Ruiva


Numa casinha branca e bem arrumada, no campo, vivia a Galinha Ruiva com seus filhinhos. Eram três pintainhos amarelinhos e lindos. Ali perto moravam também um gato, um ganso e um porco. Todos eram amigos.

Num dia de verão, a Galinha Ruiva foi passear no campo. Encontrou um grão de trigo no chão e disse:

"-Vou plantá-lo, vai ser um lindo pé de trigo."

A Galinha Ruiva perguntou ao gato, que ia passando:

“-Quer me ajudar a plantar o grão de trigo?” “-Eu não”, respondeu o gato.

A Galinha Ruiva perguntou ao ganso:

“-Quer me ajudar a plantar o grão de trigo?” “-Eu não”, respondeu o ganso.

A Galinha Ruiva foi então perguntar ao porco:

“-Quer me ajudar a plantar o grão de trigo?” “-Eu não”, respondeu também o porco.

“-Pois vou plantá-lo sozinha”, disse a Galinha Ruiva. Ela fez um buraco na terra e plantou o grão de trigo. Poucos dias depois a semente germinou e o pé de trigo foi crescendo, até que deu uma bela espiga.

A galinha perguntou ao gato, ao ganso e ao porco:

“-Quem quer me ajudar a colher a espiga de trigo?”

"-Eu não." , disseram os três.

“-Então vou colher sozinha”, disse ela.

A Galinha Ruiva colheu a espiga e perguntou:

“-Quem quer me ajudar a levar o trigo ao moinho?” “-Eu não”, responderam o gato, o ganso e o porco.

“-Então vou sozinha”, disse a Galinha Ruiva. Ela pôs o trigo numa cesta, chamou seus três pintainhos e saiu em direção moinho.

O moleiro moeu os grãos de trigo e fez farinha. Colocou-a num pacote e entregou a Galinha Ruiva.

A Galinha Ruiva e os três pintainhos voltaram par casa. Ela ia carregando o pacote de farinha na cesta.

No meio do caminho a galinha já estava cansada. Por isso sentou-se debaixo de uma árvore para descansar.

O gato, o ganso e o porco, que estavam ali perto, vieram fazer troça e caçoar da galinha.

A Galinha Ruiva perguntou aos três:

“-Quem quer me ajudar a fazer o pão?”

“Eu não”, os três ao mesmo tempo.

“-Então vou fazer o pão sozinha”, disse ela.

“-Agora quem quer me ajudar a assar o pão?”, perguntou a Galinha Ruiva, quando a massa já estava bem crescida.

“Eu não”, respondeu o gato.

“Eu também não”, disse o ganso.

“Nem eu”, disse o porco.

“Pois vou assá-lo sozinha”, disse a Galinha Ruiva.

Ela acendeu o forno e, quando ficou bem quente, pôs lá dentro a fôrma com o para assar. Os três pintainhos estavam ali perto, olhando curiosos.

Assim que o pão ficou bem assado, a Galinha Ruiva tirou-o do forno e pôs na beira da janela para esfriar. O pão-doce estava corado e bonito. Dava água na boca! Os pintainhos esperavam a hora de provar um bocadinho.

O gato, o ganso e o porco estavam ali por perto. Sentiram o cheiro delicioso do pão assado e vieram correndo. A Galinha Ruiva apareceu na janela e perguntou:

“-Quem quer me ajudar a comer o pão?”

“-Eu quero!”, respondeu o gato. “Eu também quero!” , disse o ganso. “E eu também!” , gritou o porco.

Os três já iam entrar na casa, mas a Galinha Ruiva fechou a porta e disse:

“-Vocês não me ajudaram a plantar o grão de trigo. Vocês não regaram, nem colheram, nem levaram ao moinho .“

“Vocês também não quiseram me ajudar a fazer o pão e assá-lo. Agora vocês não vão comê-lo. Eu fiz tudo sozinha, agora vou comer o pão com meus pintainhos.”

E foi isso mesmo que a Galinha Ruiva fez.